Os rankings na educação superior brasileira: politicas de governo ou de Estado?

Adolfo Ignacio Calderon, Heloisa Poltronieri, Regilson Maciel Borges

Resumo


O presente artigo, de cunho teorico, analisa o lugar dos rankings nas politicas de Educação Superior do Estado Brasileiro tendo como parâmetro quatro mandatos presidencias, dois mandatos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), marcados pela implantação das reformas neoliberais, e dois mandatos do governo Luiz Inacio Lula da Silva (2003-2010), como alternativa de esquerda democratica para America Latina diante da expansao neoliberal. Defende-se a hipotese de que passados quatro mandatos e o governo de dois presidentes representantes de projetos politicos teoricamente opostos, os rankings, enquanto estrategias de estimulo da concorrencia para a melhoria da qualidade da educação superior ganharam consenso e legitimidade tecnica no âmbito governamental, deixando de serem politicas de governos especificos para se tornarem politica de longo prazo do Estado Brasileiro, acima dos interesses dos grupos politicos que se alternaram no poder. 


Palavras-chave


Rankings; Avaliação educacional; Educação superior; Sinaes; Exame Nacional de Cursos

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