Retenção escolar: crenças e práticas dos professores e a sua relação com as políticas educativas das escolas

Natalie Nóbrega Santos, Vera Monteiro

Resumo


Alguns autores sugerem que as altas taxas de retenção escolar observadas em alguns países se devem à crença nos benefícios desta prática. O presente estudo procurou compreender o efeito moderador que as políticas educativas das escolas sobre a retenção têm na relação entre crenças e práticas de retenção no 2º ano de escolaridade. Uma análise dos documentos orientadores de 66 escolas da Madeira, Portugal, identificou os critérios e requisitos exigidos para a decisão de retenção. Um questionário online recolheu as crenças e práticas de retenção de 300 professores desta Região. Uma análise de perfis latentes identificou cinco grupos de professores organizados num continuum que variava entre uma maior rejeição e uma maior certeza nos benefícios da retenção. Observou-se uma associação entre as crenças e as práticas dos professores apenas nas escolas que não tinham nem critérios nem requisitos definidos para a decisão de retenção. Os resultados sugerem que os professores precisam de informação que oriente a tomada de decisão e que proporcione maior coerência na atuação dos intervenientes.


Palavras-chave


Reprovação Escolar; Crenças; Políticas Educativas

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40362023003103925

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