Políticas e práticas de avaliação externa de escolas: quais os espaços para a colaboração docente?

Filipa Seabra, Marta Abelha, Susana Henriques, Ana Mouraz

Resumo


A profissão de docente foi tradicionalmente uma profissão solitária. Todavia, cada vez mais, quer pela consciência da complexidade da tarefa que é educar, quer pela emergência de uma ideia de currículo assente em competências transversais, o trabalho colaborativo dos professores tem sido objeto de maior atenção pela investigação. A colaboração docente tem uma existência paradoxal nas escolas, uma vez que tem sido desejada no âmbito das políticas educativas e nos discursos dos professores e das escolas, mas são parcas as práticas que refletem autêntico trabalho colaborativo docente. No presente artigo procura-se identificar de que formas se operacionaliza esta colaboração nas escolas. O olhar é estabelecido a partir do referencial e dos relatórios do 3º ciclo da Avaliação Externa das Escolas levada a cabo pela Inspeção Geral da Educação e Ciência em Portugal. O estudo usa a análise documental como técnica de recolha de dados e a análise de conteúdo como técnica de análise de dados. Os resultados salientam a valorização transversal do trabalho colaborativo como meta desejável a promover na melhoria das práticas pedagógicas, de modo relacionado com a supervisão.


Palavras-chave


Colaboração Docente; Avaliação Externa de Escolas; Políticas de Avaliação Institucional; Análise Documental

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40362022003003442

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