Resiliência ao lidar com a COVID-19: perspectiva universitária em uma região brasileira de saúde de baixa renda

Bruno Bastos Godoi, Delba Fonseca Santos

Resumo


A pandemia da COVID-19 destaca a necessidade de reconstruir sistemas de saúde resilientes com maior acesso a serviços de saúde de qualidade. A capacidade de reação para alterar a demanda é crucial. A resiliência é relevante porque todos os países têm comunidades vulneráveis. Poder-se-ia aprofundar o argumento, usando como exemplo a resiliência particularmente presente na agenda de reuniões da Organização Mundial da Saúde. Mais necessário do que nunca, é fazer um balanço das lições aprendidas. As partes interessadas precisam trabalhar juntas para acelerar o progresso em direção ao acesso universal a informações essenciais de saúde por meio da flexibilidade. Em relação aos grandes desafios societais, que têm uma dimensão local, as universidades têm um papel fundamental a desempenhar na criação de conhecimento de produtos e serviços inovadores. A necessidade de dados oportunos, precisos e confiáveis sobre o Vale do Jequitinhonha no sistema de saúde é indiscutivelmente vencida por uma infraestrutura de vigilância e de relatórios em tempo real, orientada por tecnologia, para responder de maneira eficaz a emergências de saúde pública. A resiliência do sistema de saúde é um dos focos na estrutura da região de baixa renda e é uma estratégia universitária indispensável para gerenciar os riscos à saúde de idosos e de pacientes com doenças crônicas. A COVID-19 pode causar perturbações nos sistemas de saúde. Interrupções na infraestrutura de serviços de saúde podem resultar em perda de vidas, impacto econômico negativo e danos às comunidades. Ações focadas incluem o investimento na Atenção Primária à Saúde (APS), que abrange cuidados básicos de saúde preventivos, promotores e curativos para melhorar o estado de saúde das pessoas, reduzindo as taxas de morbimortalidade. Dado o papel fundamental de tais informações para a saúde, a universidade localizada em uma região de saúde de baixa renda tem um papel fundamental. As reflexões e os fragmentos de evidência mostrados durante este ensaio podem servir de marco para as políticas de saúde na realidade pós-pandêmica e na atuação da universidade na população.


Palavras-chave


Resiliência; COVID-19; Educação Médica; Educação Superior; Atenção Primária à Saúde

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-403620210002902990

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