Percursos e trajetórias: a identidade do diretor de escola negro nas escolas municipais da cidade de São Paulo

Douglas Aparecido Campos, Maria Angélica Chagas Ferreira

Resumo


Esse artigo é o resultado da pesquisa realizada na área da Educação que teve como base o estudo de um fenômeno social no âmbito escolar e investigou a trajetória identitária do diretor de escola negro em escolas municipais na cidade de São Paulo. Utilizamos o método de história oral, com as técnicas de entrevistas e análise dos depoimentos. Organizamos três categorias de análise, são elas: família e representatividade; formação docente e gestora; e identidade étnica e o fazer administrativo na escola. Concluímos que o racismo é vivenciado e enfrentado pelos diretores de escola e que conseguem, apesar dessa realidade, desenvolver trabalhos relevantes para a comunidade onde atuam sem se vitimar. A identidade étnico-racial torna-se um instrumento de luta para legitimar elementos fundamentais de constituição de sua identidade profissional.


Palavras-chave


Negro; Diretor de Escola; Identidade; Políticas de Ação Afirmativa

Referências


ALMEIDA, S. L. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BENTO, M. A. S. Branquitude e poder: a questão das cotas para negros. In: SANTOS, S. A. Ações afirmativas e combate ao racismo nas Américas. Brasília, DF: Ministério da Educação: UNESCO, 2005. p. 165-177.

BRASIL. Estatuto da igualdade racial: Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010 e legislação correlata. 4. ed. Brasília, DF: Edições Câmara, 2015.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996.

BRASIL. Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010. Institui o Estatuto da Igualdade Racial; altera as Leis nos 7.716, de 5 de janeiro de 1989, 9.029, de 13 de abril de 1995, 7.347, de 24 de julho de 1985, e 10.778, de 24 de novembro de 2003. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 jul. 2010.

BRASIL. Lei nº 12.990, de 9 de junho de 2014. Estabelece reserva aos negros 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública federal. DF, 2014. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jun. 2014.

BRASIL. Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988.

CRUZ NETO, O. O trabalho de campo como descoberta e criação. In: DESLANDES, S. F, et al. (orgs.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994. p. 53-66.

DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS – Dieese. O mercado de trabalho formal brasileiro: resultados da RAIS 2013. Nota Técnica, São Paulo, n. 140, set. 2014.

DUBAR, C. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. Porto: Porto Editora, 1997.

DUBAR, C. A construção de si pela atividade de trabalho: a socialização profissional. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 42, n. 146, p. 351-367, maio/ago. 2012. https://doi.org/10.1590/S0100-15742012000200003

EZPELETA, J.; ROCKWELL, E. Pesquisa participante. São Paulo: Cortez, 1986.

FERREIRA, M. A. C. A constituição da identidade do Diretor de Escola de Educação Básica negro: articulações entre a identidade étnico-racial e a identidade profissional. Dissertação (Mestrado em Educação) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2019.

FERREIRA, N. T. Como o acesso à educação desmonta o mito da democracia racial. Ensaio: Avaliação, Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 27, n. 104, p. 476-498, jul/set. 2019. https://doi.org/10.1590/S0104-40362019002701553

FONSECA, D. J. Políticas Públicas e ações afirmativas. São Paulo: Selo Negro, 2009.

GOMES, N. L. A mulher negra que vi de perto. Belo Horizonte: Mazza Edições, 1995.

GOMES, N. L. Educação, raça e gênero: relações imersas na alteridade. Cadernos Pagu, São Paulo, n. 6/7, p. 67-82, 1996.

HALL, S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. In: SOVIK, L. R. (org.). Da diáspora: identidades e mediações culturais. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013. p. 326-391.

HALL, S. Quem precisa da identidade? In: SILVA, T. T. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 103-133.

HELLER, A. O cotidiano e a história. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970.

IBGE educa. Jovens. Matérias especial. Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil. Brasília, DF, 2020. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/21039-desigualdades-sociais-por-cor-ou-raca-no-brasil.html Acesso em: 1 jun. 2020.

MINAYO, M. C. S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 621-626, mar. 2012. https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000300007

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec., 2014.

MUNANGA, K.; GOMES, N. L. O negro do Brasil de hoje. 2. ed. São Paulo: Global, 2016.

NOGUEIRA, O. Pesquisa social: introdução às suas técnicas. 2. ed. São Paulo: Nacional, 1973.

NOGUEIRA, O. Preconceito de marca: as relações raciais em Itapetininga. São Paulo: Edusp, 1998.

NOGUEIRA, O. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. Tempo Social. São Paulo, v. 19, n. 1, p. 287-308, 2006. https://doi.org/10.1590/S0103-20702007000100015

NOGUEIRA, O. Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais. São Paulo: T. A. Queiroz, 1985.

PARO, V.H. A educação, a política e a adminsitração: reflexões sobre a prática do diretor de escola. Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 36, n. 3, p. 763-778, set./dez. 2010. https://doi.org/10.1590/S1517-97022010000300008

PARO, V. H. Crítica da estrutura da escola. São Paulo: Cortez, 2011.

PARO, V. H. Diretor escolar: educador ou gerente? São Paulo: Cortez, 2015.

PIMENTA, S. G. Formação de professores: saberes da docência e identidade do professor. Nuances, São Paulo, v. 3, n. 3, p. 5-14, set. 1997. https://doi.org/10.14572/nuances.v3i3.50

RIBEIRO, D. O que é: lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento: Justificando, 2017.

SANTOS, B. S. A construção multicultural da igualdade e da diferença. Coimbra, Oficina do CES nº 135, Centro de Estudos Sociais Colégio de São Jerónimo, 1999.

SANTOS, B. S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. S.; MENESES, M. P. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. p. 23-72.

SANTOS, B. S. Reconhecer para libertar: os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

SANTOS, M. O lugar e o cotidiano. In: SANTOS, B. S.; MENESES, M. P. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. p. 584-602.

SÃO PAULO (cidade). Lei nº 15.939, de 23 de dezembro de 2013. Dispõe sobre o estabelecimento de cotas raciais para o ingresso de negros e negras no serviço público municipal em cargos efetivos e comissionados. DOC de 23/12/2013, p. 1. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/sp/s/sao-paulo/lei-ordinaria/2013/1593/15939/lei-ordinaria-n-15939-2013-dispoe-sobre-o-estabelecimento-de-cotas-raciais-para-o-ingresso-de-negros-e-negras-no-servico-publico-municipal-em-cargos-efetivos-e-comissionados Acesso em: 15 dez. 2018.

SILVA, T. T. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, T. T. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 73-102.

SOUZA, N. S. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Graal, 1983.

THOMPSON, P. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

VASQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

ZUBARAN, M.; WORTMANN, M. L.; KIRCHORF, E. R. Stuart Hall e as questões étnico-raciais no Brasil: cultura, representações e identidade. Projeto História, São Paulo, n. 56, p. 9-38, maio/ago. 2016.




DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-40362022003002982

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2020 Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Apoio:




Programa de Apoio às Publicacoes Cientificas (AED) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e tecnologico (CNPq), Ministerio da Educação (MEC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ.
 

SCImago Journal & Country Rank