v. 12, n. 34 (2020)

Revista Meta: Avaliação Jan./Mar.

Neste número XX, volume XX, a revista Meta: Avaliação apresenta 10 artigos que abordam temas bastante interessantes para os seus leitores. Os dois primeiros artigos discutem questões relativas às avaliações de larga escala. Os artigos três a oito discutem questões pontuais da avaliação. No três apresenta-se uma revisão integrativa de artigos sobre avaliação, publicados no período 2012-2016. No quarto, é feita uma avaliação de cursos oferecidos pelo PRONATEC e, no quinto, os autores trazem uma contribuição da teoria de Durkheim (representações sociais) e Bourdieu (habitus) para se construir a avaliação como prática social. O artigo seis fala da relação entre reprovação, abandono e proficiência em Português e Matemática, a partir do SAEB/2015, no Ensino Fundamental. No sétimo estudo é feita uma comparação entre Teoria de Resposta ao Item (TRI) e da Teoria Clássica de Testes (TCT), na comparação das classificações obtidas por estudantes na Prova da OBMEP.  E finalmente no artigo oito, é feita uma proposta de avaliação para a formação interdisciplinar do docente de ensino superior com uso de um instrumento de autoavaliação. Os demais artigos, nove e dez, abordam questões específicas de ensino. O nono artigo apresenta a visão de coordenadores de cursos superiores de Engenharia Elétrica, do Brasil e de Portugal, sobre processos e metodologias não tradicionais usados nessas instituições. E o décimo traça um panorama da Educação Superior a Distância No Brasil.

Os artigos são plurais, com metodologias diversificadas e resultados relevantes. Nossa intenção, com a publicação deste número, é oferecer oportunidade a você, leitor, de estabelecer um diálogo com os autores e seus temas.

1- No artigo: Exames estandardizados: análise dos modelos e das teorias na produção acadêmica, Marques, Stieg e Santos, analisaram como se deu o debate dos exames estandardizados em diferentes países. A pesquisa foi bibliográfica, tendo as fontes sido mapeadas em diferentes bases de dados estangeiras. Usaram como descritores os termos: avaliação em larga escala e exames estandardizados, sem delimitar periodização. Concluíram que a centralidade desses estudos estava em discutir o modelo psicométrico e/ou as teorias que fundamentam esses exames.

2 - Calderón e Borges, autores do artigo Avaliação em Larga Escala na Educação Básica: usos e tensões teórico-epistemológicas, realizaram uma pesquisa bibliográfica para discutir os usos e as apropriações das avaliações em larga escala a partir da produção científica brasileira sobre a temática. Encontraram tensões teóricas e epistemológicas nas discussões sobre as avaliações e defendem a necessidade de abordagens mais abrangentes que permitam compreendê-las, como são os usos de seus resultados e o surgimento de boas práticas para o sucesso escolar.

3 - No estudo de Medeiros, Nickel e Calvo sobre os Usos dos resultados da avaliação: revisão integrativa de artigos publicados no período de 2012 a 2016, foi realizada uma pesquisa empírica sobre o uso da avaliação neste período, verificando os principais tipos utilizados: instrumental, conceitual, simbólica e processual.  Analisaram também os fatores promotores e limitantes do uso desses tipos. Os autores concluíram que há necessidade de avanços que considerem o contexto e o processo avaliativo para que surjam mudanças organizacionais.

4 - O artigo Avaliação dos cursos pelo PRONATEC: benchmarking com cursos técnicos de longa duração, de autoria de Almeida e Souza, teve como objetivo avaliar a efetividade do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), no período 2013-2015. Para tanto aplicaram um questionário, que foi analisado por meio da técnica de análise de conteúdo, do teste do Qui-Quadrado e teste U de Mann-Whitney. Os autores verificaram que o número dos egressos dos cursos de curta ou longa duração empregados foram iguais, porém nos cursos de longa duração o número de egressos que trabalham na área de formação foi estatisticamente maior.

5 - Cordeiro e Miranda, no artigo Avaliação como prática social: uma reflexão a partir das contribuições de Durkheim e Bourdieu, discutem os conceitos de representações e de habitus expressos por esses autores, identificando em que medida contribuem para se compreender as práticas avaliativas desenvolvidas em sala de aula. Usam a abordagem qualitativa, realizando uma pesquisa bibliográfica. Concluem que essas ideias, além de levarem à compreensão da avaliação escolar, permitem a sua problematização na medida em que reflete o entendimento dos indivíduos em relação à organização da estrutura social.

6 - Sucesso e Fracasso no Ensino Fundamental: uma relação entre reprovação, abandono e proficiência, artigo de Carvalho, Santos e Chrispino, discute a relação entre reprovação, abandono e proficiência em Português e Matemática, a partir do SAEB/2015, Ensino Fundamental, buscando estabelecer uma comparação entre esses dados com os resultados do SAEB onde reprovação e abandono são apresentados como eixos, permitindo melhor visualização das relações. Nesta análise comparativa concluiu-se que a reprovação e abandono podem indicar uma queda na proficiência.

7 - Moreira e Nogueira realizaram uma Comparação da Classificação na Prova da OBMEP por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI) e da Teoria Clássica de Testes (TCT), visando comparar o modelo tradicional de Teoria Clássica de Testes (TCT) com a Teoria de Resposta ao Item (TRI) quando aplicadas nas provas da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP). Para tanto, avaliaram provas de 350 estudantes do ensino médio. Concluíram que o modelo TRI mostrou-se aplicável às provas da OBMEP, apresentando divergências nas classificações obtidas pela TCT.

8 - A Formação interdisciplinar docente no Ensino Superior: uma proposta de avaliação é discutida no artigo de Shaw. Mesmo havendo cursos que propõem esse tipo de formação existe carência de instrumentos avaliativos que dêem conta da complexidade do processo de aprendizagem dos alunos. A autora analisou o questionário avaliativo como instrumento de avaliação formativa dos estudantes. Entre outros aspectos, concluiu que o questionário autoavaliativo possibilitou aos licenciandos autorefletirem sobre diferentes aspectos do processo de aprendizagem, com especial destaque para o seu envolvimento na oficina. Possibilitou, também, aos docentes formadores conhecer as percepções de seus alunos a respeito da interdisciplinaridade.

9 - Pereira, Oliveira e Reis, no artigo Processos e metodologias não tradicionais no Ensino Superior de Engenharia Elétrica: a percepção de coordenadores de curso em dois países lusófonos, investigaram ferramentas e metodologias usadas nesses cursos, identificando em quais unidades curriculares foram trabalhadas. O estudo foi realizado, por meio de entrevistas e triangulação de dados, com coordenadores de três cursos de Universidades localizadas no Brasil e em Portugal. Como resultado destaca-se que processos e metodologias de ensino não tradicionais ainda são escassos e pontuais. O estudo também revelou a precariedade da infraestrutura dos laboratórios e das licenças de software.

10 - Ferreira e Mourão, autoras de Panorama da Educação a Distância no Ensino Superior brasileiro, apresentam um panorama da graduação a distância no Brasil em termos de permanência, evasão, práticas pedagógicas e perfil discente. Discutem os caminhos percorridos, abordando tendências e desafios. Para tanto, usaram um Modelo de Avaliação Integrado e Somativo. Concluíram que houve uma rápida expansão da modalidade nos últimos anos e constataram uma defasagem de políticas públicas para a mesma.

Sumário

Estudos e Artigos

Rodrigo Marques, Ronildo Stieg, Wagner dos Santos
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1-27
Adolfo-Ignacio Calderón, Regilson Maciel Borges
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28-58
Gabriella de Almeida Raschke Medeiros, Daniela Alba Nickel, Maria Cristina Marino Calvo
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59-87
Alexandre Nascimento de Almeida, Maria Luisa Hilleshein de Souza
88-117
Glaucia Maria dos Santos Cordeiro, Marcelo Henrique Gonçalves de Miranda
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118-135
Igor Leandro Alves de Carvalho, José Jefferson Aguiar dos Santos, Álvaro Chrispino
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136-161
Alex Moreira, Cristina Henriques Nogueira
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162-180
Gisele Soares Lemos Shaw
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181-210
Cleber A. Pereira, Paulo M. Oliveira, Manuel J.C.S. Reis
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211-246
Danielle Mello Ferreira, Luciana Mourão
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247-280