A autoeficácia dos professores para a implementação de práticas inclusivas: Contributos para uma reflexão sobre a inclusão educativa

Paulo César Dias

Resumo


Nos últimos anos, muito mudou em termos de legislação e de práticas para uma escola inclusiva, na preparação das escolas e no desenvolvimento profissional dos docentes. Contudo, é menor a investigação centrada sobre as práticas inclusivas e o sentido de preparação dos professores para uma verdadeira inclusão educativa. Com o presente trabalho pretendemos avaliar a perceção dos professores sobre a sua competência na implementação de práticas inclusivas através da adaptação de uma escala, com 153 docentes do ensino regular e da educação especial. Os resultados permitiram encontrar uma boa estrutura fatorial e fidelidade da escala. Foram encontradas diferenças em função de variáveis pessoais como o género, idade ou habilitações literárias, variáveis profissionais como o tempo de serviço e situação contratual, assim como formação e experiência pessoal com crianças com necessidades especiais. Os resultados são discutidos e as suas implicações para o desenvolvimento profissional docente e para a investigação no âmbito da educação inclusiva.


Palavras-chave


Inclusão; Autoeficácia; Professores; Instrumento

Referências


AGUIAR, C. et al. Desenhos de investigação de sujeito único em educação especial. Análise Psicológica, v. 29, n. 1, p. 167-78, 2011. doi:10.14417/ap.46

AINSCOW, M. Educação para todos: torná-la uma realidade. In: AINSCOW, M.; PORTER, G.; WANG, M. (Eds). Caminhos para as escolas inclusivas. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional, 1997. p. 13-29.

AINSCOW, M. Necessidades especiais na sala de aula: um guia para a formação de professores. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional, 1998.

ALI, M. M.; MUSTAPHA, R.; JELAS, Z. M. An empirical study on teachers’ perceptions towards inclusive education in Malaysia. International Journal of Special Education, v. 21, n. 3, p. 36-44, Jan. 2006.

BANDURA, A. Self-efficacy: the exercise of control. New York: Freeman, 1997.

BEN-YEHUDA, S.; LEYSER, Y.; LAST, U. Teacher educational beliefs and sociometric status of Special Educational Needs (SEN) Students in inclusive classrooms. International Journal of Inclusive Education, v. 14, n. 1, p. 17-34, Feb. 2010.

CAPUTO, A.; LANGHER, V. Validation of the collaboration and support for inclusive teaching scale in special education teachers. Journal of Psychoeducational Assessment, v. 33, p. 210-22, May 2015. doi:10.1177/0734282914548335

CONDERMAN, G. Middle school co-teaching: effective practices and student reflections. Middle School Journal, v. 42, n.4, p. 24-31, 2011. doi:10.2307/23047713

COOK, B. G., et al. Bringing research to bear on practice: effecting evidence-based instruction for students with emotional or behavioral disorders. Education and Treatment of Children, v. 26, n. 4, p. 345-361, Nov. 2003.

COOK, B. G.; SCHIRMER, B. R. What is special about special education? Overview and analysis. Journal of Special Education, v. 37, n. 3, p. 200-5, Oct. 2003.

COOK, B. G.; TANKERSLEY, M.; LANDRUM, T. L. Determining evidence-based practices in special education. Exceptional Children, v. 75, n. 3, p. 365-83, Sep. 2009.

CORREIA, L. M. Inclusão e necessidades educativas especiais: um guia para educadores e professores. Porto: Porto Editora, 2005.

CORREIA, L. M. Inclusão e necessidades educativas especiais: um guia para educadores e professores. 2. ed. Porto: Porto Editora, 2008.

CORREIA, L. M. O sistema educativo português e as necessidades educativas especiais ou quando inclusão quer dizer exclusão. In: CORREIA, L. M. (Org.). Educação especial e inclusão: quem disser que uma sobrevive sem a outra não está no seu perfeito juízo. Porto: Porto Editora, 2003. p. 11-39.

CURCIC, S. Inclusion in PK-12: an international perspective. International Journal of Inclusive Education, v. 13, n. 5, p. 517-38, Aug. 2009.

DIAS, P. C. et al. A experiência, atitude e sentido de eficácia do professor de educação especial em Portugal. In: RODRIGUES, A.; CASAL, J.; DIAS, P. C. (Orgs.). Educação especial: por uma escola de, com e para todos. Mangualde: Pedago, 2013. p. 177-90.

DIAS, P. C.; LEAL, A. R.; DIÁZ, J. Percepciones de los maestros de la ensañaza sobre la inclusión: datos preliminares. In: RAMIRO-SÁNCHEZ, T.; RAMIRO, M. T.; BERMÚDEZ, M. P. (Coords.). Avances en ciencias de la educación y del desarrollo. Granada: Asociación Española de Psicología Conductual, 2013. p. 397-401.

FREITAS, E. et al. Percepção dos pais em relação à inclusão de crianças com necessidades educativas especiais no ensino regular. Revista Educação Especial, v. 28, n. 52, 443-57, mayo-ago. 2015.

GIANGRECO, M. F.; BAUMGART, D. M.; DOYLE, M. B. How inclusion can facilitate teaching and learning. Intervention in School and Clinic, v. 30, n. 5, p.273-8, May 1995. doi:10.1177/105345129503000504

GREGUOL, M.; GOBBI, E.; CARRARO, A. Formação de professores para a educação especial: uma discussão sobre os modelos brasileiro e italiano. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 19, n. 3, p. 307-24, jul.-set. 2013. doi:10.1590/S1413-65382013000300002

HARVEY, M. W. et al. Preservice teacher preparation for inclusion. An exploration of higher education teacher-training institutions. Remedial and Special Education, v. 31, n. 1, p. 24-33, Jan. 2010.

HEIMAN, T. Teachers coping with changes: Including students with disabilities in mainstream classes: an international view. International Journal of Special Education, v.19, n.2, p. 91-103, 2004.

HUANG, C. Gender differences in academic self-efficacy: a meta-analysis. European Journal of Psychology of Education, v. 28, n. 1, p. 1-35, Jan. 2013. doi:10.1007/s10212-011-0097-y

KIVIET, A. M; MJI, A. Sex differences in self-efficacy beliefs of elementary science teachers. Psychological Reports, v. 92, n. 1, p. 333-8, Feb. 2003. doi:10.2466/pr0.2003.92.1.333

LIMA, J. A. As culturas colaborativas nas escolas: estruturas, processos e conteúdos. Porto: Porto Editora, 2002.

MALINEN, O.-P. et al. Exploring teacher self-efficacy for inclusive practices in three diverse countries. Teaching and Teacher Education, v. 33, p. 34-44, July 2013. doi:10.1016/j.tate.2013.02.004

MORGADO, J. Qualidade, inclusão e diferenciação. Lisboa: ISPA, 2003.

PINTO, I. P. A Inclusão como processo de socialização, equidade e aprendizagem. In: RODRIGUES, A.; CASAL, J.; DIAS, P. (Orgs.). Educação especial: por uma escola de, com e para todos. Mangualde: Pedago, 2013. p. 9-20.

PORTUGAL. Conselho Nacional de Educação. Lei n.º 46/86. Lei de Bases do Sistema Educativo. 14 Out. 1986.

PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro de 2008. No desenvolvimento do regime jurídico estabelecido pela Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, define os apoios especializados a prestar na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário dos sectores público, particular e cooperativo. Diário da República. S.1, n. 4, p. 154-64, Jan. 2008

PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 319/91, de 23 de Agosto de 1991. Aprova o regime de apoio a alunos com necessidades educativas especiais que frequentem estabelecimentos dos ensinos básico e secundário. Diário da República, S. 1.

RIGGS, I. M. Gender differences in elementary science teacher self-efficacy. In: ANNUAL MEETING OF THE AMERICAN EDUCATIONAL RESEARCH ASSOCIATION, 1991, Chicago, Ill. Chicago: American Educational Research Association, 1991.

RODRIGUES, D.; NOGUEIRA, J. Educação especial e inclusiva em Portugal: fatos e opções. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 17, n. 1, p. 3-20, jan./abr. 2011. doi:10.1590/S1413-65382011000100002

ROLDÃO, M. Colaborar é preciso: questões de qualidade e eficácia no trabalho dos professores. Noesis, n. 71, 24-29, out./dez. 2007.

SCHUNK, D. H.; MEECE, J. L. Self-efficacy development in adolescences. In URDAN, T.; PAJARES, F. (Eds.). Self-efficacy beliefs of adolescents. Greenwich: Information Age, 2005. p. 71-96.

SHARMA, U.; LOREMAN, T.; FORLIN, C. Measuring teacher efficacy to implement inclusive practices. Journal of Research in Special Educational Needs, v. 12, n. 1, p. 12-21, Jan. 2012. doi:10.1111/j.1471-3802.2011.01200.x

SILEO, J. M. Co-teaching: getting to know your partner. Teaching Exceptional Children, v. 43, n. 5, p. 32-8, 2011. doi:10.1177/004005991104300503

SPENCER, T. D.; DETRICH, R.; SLOCUM, T. A. Evidence-based practice: a framework for making effective decisions. Education and Treatment of Children, v. 35, n. 2, p. 127-51, 2012.

TSCHANNEN-MORAN, M.; WOOLFOLK HOY, A. Teacher efficacy: capturing and elusive construct. Teaching and Teacher Education, v. 17, p. 783-805, 2001.

TSCHANNEN-MORAN, M.; WOOLFOLK HOY, A.; HOY, W. K. Teacher efficacy: its meaning and measure. Review of Educational Research, v. 68, n.2, p. 202-48, 1998. doi:10.3102/00346543068002202

VILLA, R. A.; THOUSAND, J. S.; NEVIN, A. I. A guide to co-teaching: practial tips for facilitating student learning. Thousand Oaks: Corwin, 2008.

WORLD CONFERENCE ON SPECIAL NEEDS EDUCATION: Access and quality; 1994; Salamanca, Spain. Final report... Paris: Unesco, 1994.

ZIMMERMAN, B. J.; CLEARY, T. J. Adolescents’ development of personal agency: the role of self-efficacy beliefs and self-regulatory skill. In: URDAN, T. PAJARES, F. (Eds.). Self-efficacy beliefs of adolescents. Greenwich: Information Age, 2006. p. 45-69.




DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-40362017000100001

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2017 Revista Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional