O que as crianças sabem ao ingressarem na pré-escola na cidade do Rio de Janeiro?

Tiago Lisboa Bartholo, Mariane Campelo Koslinski, Marcio da Costa, Thaís Mendonça Barcellos

Resumo


O artigo discute a necessidade de estudos com desenho longitudinal e de uma linha de base para a construção de modelos de valor agregado para avaliar o impacto de políticas e práticas escolares na pré-escola e nos primeiros anos do ensino fundamental. O objetivo da análise foi identificar fatores da origem familiar e de experiência prévia na creche correlacionados ao ponto de partida das crianças na pré-escola. Os modelos de regressão multivariadas indicam que: a) idade é um importante preditor para o desenvolvimento cognitivo das crianças no ingresso do período obrigatório de escolarização; b) educação dos pais é o principal preditor considerando as características da família; c) o indicador de ambiente educativo do lar sugere uma associação positiva com o teste cognitivo, mesmo após controle das variáveis socioeconômicas e idade.


Palavras-chave


Educação infantil; Estudos longitudinais; Oportunidades educacionais; Desigualdades/desvantagens educacionais

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-40362019002702071

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