Como o acesso à educação desmonta o mito da democracia racial

Nara Torrecilha Ferreira

Resumo


Este ensaio pretende mostrar como a Educação, particularmente o acesso ao Ensino Superior, é um excelente indicador para desmontar o mito da democracia racial constituído no imaginário brasileiro. Assim, o texto divide-se em três partes e conclusão. Primeiro, são apresentados e debatidos os argumentos relativos à ideia de democracia racial. Em seguida, são analisadas as políticas de ação afirmativa. Depois, são analisadas as possibilidades de acesso dos negros ao Ensino Superior. Na conclusão, o artigo discute a importância de políticas para o combate às desigualdades raciais, realçando uma agenda de pesquisa que possibilitaria entender, em que medida as políticas afirmativas seriam capazes de mudar o quadro racial brasileiro.


Palavras-chave


Educação superior; Acesso; Políticas afirmativas; Desigualdade

Referências


ALBERTI, V.; PEREIRA, A. A. Movimento negro e "democracia racial" no Brasil: en-trevistas com liderancas do movimento negro. Rio de Janeiro: CPDOC, 2005.

ALBERTI, V.; PEREIRA, A. A. As Articulacoes entre movimento negro e Estado: estrategias e experiencias contemporâneas. In:

GOMES, Angela C. (Org). Direitos e cidadania: memoria, politica e cultura. Rio de Janeiro: FGV, p. 93-113, 2007.

ALVES, M. A.; GALEAO-SILVA, L. G. A critica da gestao da diversidade nas organiza-coes. Revista de Administracao de Empresas (RAE), Sao Paulo, v. 44, n. 3, p. 20-29, 2004.

ARAUJO, J. Z. O Negro na Dramaturgia, um Caso Exemplar da Decadencia do Mito da Democracia Racial Brasileira. Estudos Feministas, Florianopolis, n. 16, v. 3, p. 979-985, set./dez., 2008.

AVRITZER, L.; GOMES, L. C. B. Politica de Reconhecimento, Raca e Democracia no Brasil. Revista de Ciencias Sociais, Rio de Janeiro, v. 56, n. 1, 2013.

BALTAZAR, S. M. A liberalizacao do servico de ensino superior no Brasil: da desestati-zacao ao marco regulatorio. Raizes Juridicas, Curitiba, v. 3, n. 2, jul./dez. 2007.

BAYMA, F. Reflexoes sobre a Constitucionalidade das Cotas Raciais em Universidades Públicas no Brasil: referencias internacionais e os desafios pos-julgamento das cotas. Ensaio: Avaliacao e Politicas Públicas em Educacao, Rio de Janeiro, v. 20, n. 75, p. 325-346, abr./jun. 2012.

BERNARDINO, J. Acao Afirmativa e a Rediscussao do Mito da Democracia Racial no Brasil. Estudos Afro-Asiaticos, a. 24, n. 2, p. 247-273, 2002.

BRASIL. Constituicao da República Federativa do Brasil de 1988. Diario Oficial da Uni-ao, Brasilia, 5 out. 1988.

CAMPOS, L. A.; FERES JUNIOR, J.; DAFLON, V. T. O Desempenho dos Cotistas no ENEM: comparando as notas de corte do SISU. Textos para discussao GEMAA (IESPU-ERJ), n. 4, pp. 1-23, 2014.

CARVALHO, C. H. A. O PROUNI no governo Lula e o jogo politico em torno do acesso ao ensino superior. Educacao e Sociedade, Campinas, v. 27, n. 96, p. 979-1000, out. 2006.

DAFLON, V. T.; FERES JUNIOR, J. CAMPOS, L. A. Acoes

afirmativas raciais no ensino superior público brasileiro: um panorama analitico. Cadernos de Pesquisa, v.43 n.148, p.302-327, jan./abr. 2013.

GOMES, A. M.; MORAES, K. N. A Expansao da educacao superior no Brasil contempo-râneo: questoes para o debate. Anped GT11: Politicas de Educacao Superior, Rio de Janei-ro, 2009. Disponivel em: http://www.anped11.UERJ.br/32/gt11-5848--int.pdf. Acesso em 20 jan. 2014.

GUARNIERI, F. V.; MELO-SILVA, L. L. Acoes afirmativas na educacao superior: rumos da discussao nos últimos cinco anos. Psicologia & Sociedade, n. 19, v. 2, p. 70-78, 2007.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA e ESTATISTICA - IBGE. Caracteristicas etnicorraciais da populacao: um estudo das categorias de classificacao de cor ou raca. Rio de Janeiro, 2011.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA e ESTATISTICA - IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios 2015. Rio de Janeiro, 2016.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA e ESTATISTICA - IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios 2013. Rio de Janeiro, 2015.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA - IPEA. Retrato das desigualdades de genero e raca - 1995 a 2013. Com a participacao de: ONU Mulheres, Secretaria de Politicas para as Mulheres (SPM). Brasilia, 2014. Disponivel em: http://www.IPEA.gov.br/retrato/indicadores.html. Acesso em: 16 jan. 2015.

LEWGOY, B. Cotas Raciais na UNB: as licoes de um equivoco. Horizontes Antropologi-cos, Porto Alegre, a. 11, n. 23, p. 218-221, jan./jun. 2005.

MOEHLECKE, S. Acao afirmativa no ensino superior: entre a excelencia e a justica ra-cial. Educacao e Sociedade, Campinas, v. 25, n. 88, p. 757-776, Out. 2004.

NEVES, C. e. B. Desafios da educacao superior. Sociologias, Porto Alegre, a. 9, n. 17, p. 14-21, jan./jun. 2007.

OLIVEIRA FILHO, P. de. A mobilizacao do discurso da democracia racial no combate às cotas para afrodescendentes. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 26, n. 4, p. 429-436, out./dez. 2009.

PEREIRA, A. A. O "Atlântico negro" e a constituicao do movimento negro contemporâneo no Brasil. In: Perseu: historia, memoria e politica. Centro Sergio Buarque de Holanda. Sao Paulo, n. 1, vol. 1, p. 235­263, dez. 2007.

PERONI, V. M. V.; OLIVEIRA, R. T. C.; FERNANDES, M. D. e. Estado e terceiro setor: as novas regulacoes entre o público e o privado na gestao da educacao basica brasileira. Educacao e Sociedade, v. 30, n. 108, out. 2009.

PINTO, P. G. H. R. Acao Afirmativa, Fronteiras Raciais e Identidades Academicas: Uma Etnografia das Cotas Para Negros na UERJ. Paper apresentado na I Conferencia Internaci-onal da Rede de Estudos sobre Acao Afirmativa, Universidade Cândido Mendes, Rio de Ja-neiro, jan. 2005. Disponivel em: http://aasn.iuperj.br/Articles/Paulo_Gabriel_Hilu.pdf

RAWLS, J. Uma teoria da justica. Sao Paulo: Martins Fontes, 2008.

SANTOS, S. A.; CAVALLEIRO, e.; BARBOSA, M. I. S.; RIBEIRO, M. Acoes afirmativas: polemicas e possibilidades sobre igualdade racial e o papel do Estado. Revista Estudos Feministas, v. 16, n. 3, dez. 2008.




DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-40362019002701553

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2019 Revista Ensaio: Avaliação e Politicas Públicas em Educação

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.