Avaliação institucional de escolas de Educação Basica em Portugal: politicas, processos e práticas

Virginio Sa

Resumo


Neste texto, depois de uma breve referencia à emergencia e à consolidação da agenda avaliativa, abordam-se algumas das racionalidades que compoem a constelação argumentativa que a sustentam, balizando essas argumentacoes entre o polo da emancipação e da promocao da reflexividade dos atores, num extremo, e o polo do controlo e da vigilância panotica, no outro. Segue-se uma apresentação do modelo de avaliação externa das escolas em uso em Portugal, com referencia ao seu limitado impacto na melhoria da prestação do servico educativo. Assume-se uma concecao de escola como organização educativa complexa e reconhece-se a densidade tecnica da avaliação, mas ressalta-se sobretudo a sua face politica .


Palavras-chave


Avaliação institucional das escolas; Agendas da avaliação; Qualidade(s)

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-40362018002601163

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